Eu não pude atender sua ligação. Não estava ocupado, mas não estava preparado. Na verdade nos segundos em que tive que decidir se atendia ou não eu tive a certeza de que você não estava preparado para me ouvir. Quero tanto receber suas ligações que me contendo com seu nome piscando na tela do telefone. Falar contigo poderia estragar a delícia de sentir que você teve vontade de falar comigo. Você não deve estar preparado, deve seguir sua vida, escovar seus dentes e ouvir suas músicas como faz desde sempre. Você não deve estar preparado para seguir minhas músicas e escovar meus dentes. Não aceito nada de nós que seja raso. Nem sei como o faria contigo. Nem sei como reagiria ao ouvir sua voz do outro lado da linha. Começo a esquecer a sua voz e isso me faz bem. Acho que nunca tive registro da sua voz ou do seu rosto, só referências e encanto.
Como atender então a chamada de um desconhecido? Iria finalmente tirar as máscaras por telefone e revelar essas tuas fraquezas que tanto gosto? Creio que não. Em nossos melhores momentos estamos calados, com a cumplicidade de quem sente que o que é bom é simples. Te vi simples e te fiz simples. Simplifiquei teus problemas, pois sei que ao meu lado eles não seriam nada, resolveria todos pra te ver sorrindo novamente. Que olhar cansado carrega. Que peso é este sobre os olhos de poeta abandonado, de homem sem amor. Ama-me e prova que tudo isso que escrevi não faz sentido, que somos melhores juntos e só assim é possível ser. Liga-me só mais uma vez e prometo perder o medo e a razão.
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sexta-feira, 17 de outubro de 2008
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Motivo
Encontrei o tal bom motivo pra te ligar. Quando ouvi as histórias da terra que gosta de dizer sua, pensei que seu ego quixotesco de cavaleiro herói seria acariciado com a lembrança. Te conheço tanto que sei que nada importaria dividir contigo qualquer aflição que não fosse a sua. Pois infla-te mais uma vez com a certeza que quase te procurei. É o máximo que darei a ti, a certeza que carrega de que vejo poesia em tua vida. Vejo mais que tu mesmo, crio nos teus dias histórias maravilhosas para ti, e segues apenas pensando em ti mesmo – o que fazes tão bem. Te alimento com meus sonhos e as batalhas das tuas horas são vencidas apenas pelo meu desejo de manter-te tão longe.
Fica no castelo, no alto do morro observando um mundo que não é seu e deixa que eu traduza em versos as emoções de pessoas que nunca conhecerá. O vento que bate em teus cabelos chega frio aos olhos dos outros. Frio é teu olhar para a gente que nunca pensou existir. Quis ligar-te e resisti com a garra de herói e o medo de menino. Que faria eu se não te encontrasse em batalhas distantes contra teus próprios medos? Meu prazer é te imaginar e qualquer toque traria novamente a realidade sublimada em sonho. Mantém-te sonho que te garanto as doses de poesia. Não faltarão cartas para contar a nossa história e enquanto as escrevo escondo e escolho o final feliz.
Fica no castelo, no alto do morro observando um mundo que não é seu e deixa que eu traduza em versos as emoções de pessoas que nunca conhecerá. O vento que bate em teus cabelos chega frio aos olhos dos outros. Frio é teu olhar para a gente que nunca pensou existir. Quis ligar-te e resisti com a garra de herói e o medo de menino. Que faria eu se não te encontrasse em batalhas distantes contra teus próprios medos? Meu prazer é te imaginar e qualquer toque traria novamente a realidade sublimada em sonho. Mantém-te sonho que te garanto as doses de poesia. Não faltarão cartas para contar a nossa história e enquanto as escrevo escondo e escolho o final feliz.
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