terça-feira, 22 de março de 2016
Era um domingo de manhã. Na verdade não sei se era exatamente um domingo, mas era um desses dias em que se acorda tarde, pega algo na cozinha e se volta para a cama meio que dormindo com a cara entre migalhas de pão no travesseiro. Um domingo bom tem como som do despertador a água fervente passando pelo coador do café. Naquela preguiça de quem nem sabe o que é, e se estende o braço ao lado e percebe o calor do corpo quente. Nesse instante não importa como foi a noite. Em manhã boa não se tem lembrança, tem um braço perdido na cama que mesmo sendo de outro é um pedaço seu. Enquanto o queijo esquenta no chapa de um sanduíche mal feito, amantes se derretem confundindo pernas e combinando planos falhados para um dia que atrasou em começar.
Pego tua xícara de café já meio frio, doce. Não gosto. Sorrio. Reclamo e bebo mais. Acertou que no meu são só duas gotas de adoçante, mas errou ao achar eu saberia de olhos fechados identificar o que era meu e o que era seu. Isso eu nunca soube ao certo, mesmo quando acordado. Roupa espalhada pelo quarto todo e a dúvida de onde foi parar aquele par da meia. Logo eu que nunca me preocupei em guardar as meias juntas procuro por toda a cama a lembrança da minha parte perdida entre você . Eu não quero achar. Em um domingo de manhã, ou nesses dias em que juntos representamos a preguiça toda, não me importo com a segunda – feira ou impressão. Teu peito é o meu lugar e nem precisa me desejar bons sonhos. Sonho com o dia em que as nossas manhãs dormindo sejam para sempre os nossos domingos.
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